Finalmente o DCE da UFRGS e da PUCRS se manifestaram sobre a agressão.

Briga AlexandreDepois de quase um mês da agressão sofrida pelo Alexandre Dornelles na saída de uma festa promovida pelo DCE da UFRGS, finalmente os DCEs da PUC e mais especialmente o da UFRGS, se manifestaram sobre o ocorrido, lançando nota sobre o ocorrido em suas páginas no Facebook.

Como venho acompanhando o desenrolar do caso, aguardei ansiosamente por essas duas notas, que, na minha visão, deixaram a desejar.

A nota do DCE da UFRGS não diz nada com nada. Fala sobre ações que teriam sido realizadas, mas que não tem qualquer relação com o ocorrido. De relevante, apenas notícia de que um dos envolvidos que faziam parte da gestão da entidade foi desligado. De resto, um ato meramente burocrático.

Já a do DCE da PUC, apesar de não haver envolvimento direto dos dirigentes deste diretório, afirma que não haviam alunos da PUC na emboscada. Porém, de acordo com informações obtidas por esse blog, um dos envolvidos seria aluno da PUC e boa parte dos agressores tem ligações políticas com a atual gestão e, por esse motivo, foram cobrados pelos estudantes a lançar uma nota sobre o caso. Porém, uma nota meramente burocrática, genérica, sem conteúdo algum.

Vejam as duas notas.

NOTA DO DCE DA UFRGS

A gestão Podemos – Mobilizar e Conquistar do DCE UFRGS vem por meio desta nota manifestar seu repúdio aos casos ocorridos na festa do DCE no dia 31 de julho de 2015. Nos últimos dias, realizamos debates internos na gestão na busca de construir um posicionamento e ações à altura daquilo que defendemos.

Em novembro de 2014, fomos eleitos com 2.643 votos que confiaram à gestão a tarefa de representar os estudantes da universidade. Entre as nossas propostas está a defesa dos espaços estudantis e a ocupação dos Campi pelas pessoas. Fizemos nossa terceira festa ocupando a rua, diante da restrição de festas pela REItoria e o cerceamento da autonomia estudantil que é cada vez mais frequente, sem receber uma alternativa pela Administração Central. No entanto, tal ação envolve riscos por acontecer na rua, e assumimos nossa responsabilidade coletiva por se tratar de uma festa do DCE.

Queremos nos desculpar com toda a comunidade acadêmica, uma vez que os fatos lamentáveis envolveram, em um primeiro momento, na Avenida Desembargador André da Rocha um membro da gestão e que, posteriormente, desencadearam uma série de agressões envolvendo participantes da festa em frente à sede central. Acreditamos em um movimento estudantil amplo e democrático onde as disputas sobre concepções de sociedade e universidade aconteçam na base do diálogo e das ideias. Repudiamos essas agressões físicas, pois as mesmas não têm espaço e não condizem com nossas práticas, sejam de independentes ou de coletivos. E, por isso, prestamos solidariedade a todos as agredidas e agredidos na noite do dia 31 de julho.

Lutamos por uma educação socialmente transformadora e nesse sentido compreendemos que as pessoas podem cometer erros durante a vida e que é preciso maturidade para reconhecer e superá-los. Superaremos os erros cometidos para seguir dando continuidade ao trabalho que temos feito desde o início do ano em defesa dos direitos estudantis como, por exemplo, a campanha “Cadê o RU?”, a suspensão dos desligamentos da Resolução 19, o Ciclos de Debates e o Junho dos Esportes. Anunciamos que o membro da gestão envolvido nos fatos do dia 31 está desligado de suas atividades do DCE. Seguimos trabalhando para que situações como esta não se repitam.

A situação política atual precisa de unidade ampla dos setores combativos do movimento estudantil para enfrentar os cortes no orçamento aplicados pelo ajuste fiscal operado pelo governo federal de Dilma, que precarizam ainda mais a educação. Seguiremos lutando por uma universidade pública, popular, de qualidade e plural, onde a autonomia estudantil e a garantia de espaços de confraternização sejam garantidos e respeitados pela REItoria.

 

NOTA DO DCE DA PUCRS
NOTA SOBRE O OCORRIDO NA FESTA DO DCE DA UFRGS

Desde o início, a Gestão TOD@S é composta por diversos coletivos políticos e por pessoas independentes. Não temos domínio sobre práticas desses coletivos dentro ou fora da universidade e, portanto, respondemos apenas pelos atos da Gestão. Mesmo assim, repudiamos o ocorrido no dia 31 de Julho em uma festa no DCE da UFRGS onde militantes de um coletivo que compõe a gestão praticaram uma agressão. A prática foi denunciada por estudantes durante uma atividade das Calouradas do DCE PUCRS.

Somos contra qualquer tipo de violência e mais ainda quando cometidas contra meninas. Nos solidarizamos com todas as mulheres vítimas de agressão. Entendemos que ninguém tem o direito de perseguir alguém, nem por questões políticas, nem pessoais. Estamos abertos(as) a ouvir denúncias dentro da Universidade e acreditamos que esses casos são sérios e devem ser apurados pelas instâncias competentes.

É importante também salientar que nenhum dos envolvidos na agressão na festa do DCE da UFRGS faz parte da Gestão TOD@S ou está matriculado na PUCRS. Que fatos como esse não ocorram novamente.

Gestão TOD@S.

Nota do PSOL sobre a agressão foi um tiro no pé. A do JUNTOS, um tiro na cabeça.

Briga AlexandreApós a grande repercussão do episódio envolvendo a agressão ao Alexandre Dornelles, militante dissidente do PSOL, era esperado algum posicionamento das entidades envolvidas que tinham alguns de seus membros entre os participantes, tais como o PSOL, MES e JUNTOS, além do DCE da UFRGS.

Veja aqui: http://blogdothales.sul21.com.br/2015/08/imagens-mostram-integrantes-do-psol-agredindo-dissidentes-do-partido-na-saida-de-festa-no-dce-da-ufrgs/

A primeira entidade que se manifestou foi a Direção Estadual do PSOL, dominada pelo MES. Era esperado, no mínimo, um posicionamento firme contra as atitudes criminosas dos seus militantes, mas a nota divulgada foi triste, pra não dizer outra coisa.

Veja aqui:

http://www.sul21.com.br/jornal/militantes-do-psol-sao-acusados-de-agressao-e-partido-instaura-comissao-de-etica-para-apurar-caso

Afirma que houve um “incidente” que resultou em uma “briga” e que não tem qualquer responsabilidade sobre o ocorrido.

Mas não, PSOL! Não foi um incidente. Foi uma emboscada, um ataque por trás em bando contra um único indivíduo. Também não foi “briga”, e sim uma agressão covarde, como todo mundo pode ver. E o pior foi a dissimulação posterior, pelo Facebook, dos envolvidos flagrados pelas câmeras.

Além disso, não foram apenas dois filiados envolvidos, pois de acordo com o site do TSE, T.L.S, G.F.B, M.A.P.S, R.S.A, que aparecem nas imagens no momento da agressão, são filiados, além dos envolvidos indiretos, que aparecem mais para o final do vídeo, que também tem filiação.

O mínimo que a Direção do PSOL deveria fazer, já que é um partido que se autoproclama como a “vanguarda da esquerda”, era pedir desculpas aos agredidos, vilipendiar essa violência e, após apuradas as responsabilidades na Comissão de Ética do Partido, expulsar os envolvidos.

Acentua a gravidade do caso o fato de uma das pessoas que aparecem ao lado dos agressores desde o começo do vídeo (T.L.S.), ser assessora parlamentar de um vereador do PSOL na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, conforme mostra o Portal da Transparência do parlamento. Portanto, não é correto afirmar que não há envolvimento do Partido.

TLS - TRransparência
T.L.S., inclusive, foi candidata a vereadora em Porto Alegre pelo PSOL, em 2012, e candidata a Deputada Estadual pelo PSOL, no Rio Grande do Norte (isso mesmo, Rio Grande do Norte), nas eleições do ano passado, o que coloca ainda mais responsabilidade política sobre o partido.

É o mínimo que deveria ser feito. Mas, com essa nota, parece que virá uma “operação abafa” do caso. Espero estar errado.

E aqui, com a minha insignificância, falo diretamente para as lideranças estaduais do partido: Luciana Genro, Fernanda Melchionna, Roberto Robaina, Gabriela Tolotti, Alex Fraga e Pedro Ruas, que são quadros da esquerda que tem o meu respeito, até então: Não se escondam atrás de uma nota medíocre de três linhas!

lucianagenrofacebookhitler

Luciana Genro acusando diretamente o Governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), pela violência de seus milicianos contra os professores paranaenses. Dois pesos e duas medidas?

Vocês, que são sempre os primeiros a acusar e responsabilizar diretamente – e com razão – os Governadores, Secretários, Presidentes, o Papa ou qualquer outra autoridade pela truculência policial, deveriam se posicionar da mesma forma quando seus militantes agridem covardemente, em grupo, alguém que diverge politicamente do seu Partido. E fazer diferente de outros partidos, repudiando igualmente a violência que tanto condenam.

Todos aqueles que condenaram o ato esperam, ansiosamente, um posicionamento pessoal de cada um de vocês, de preferência repudiando a covardia e dissimulação, ainda mais estando caracterizada a presença de uma pessoa com cargo público entre os envolvidos nesse episódio.

Já a nota do coletivo JUNTOS, vinculado ao PSOL, foi um fiasco total, para não dizer patética. Tanto é que mais de 99% dos comentários dessa postagem feita na página do coletivo no Facebook foram de repúdio.

Leiam com os próprios olhos:

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=950806434941984&id=360698563952777

A nota começa afirmando que o JUNTOS repudia a violência etc. Não poderia ser diferente. Mas aí começa um verdadeiro show de horrores. Vejamos:

“Ressaltamos que, embora nada justifique o ocorrido, há muito tempo vários dos nossos militantes são provocados e ameaçados pelos integrantes do coletivo Barricadas, especialmente o Alexandre Dornelles, buscando através dessas provocações criar fatos políticos contra outras organizações. Essas provocações voltaram a ocorrer na noite de sexta-feira.”

Veja bem: argumentam o famoso “não sou racista, mas…”, não sou homofóbico, mas…”, não defendo o linchamento, mas…”. Utilizam o principal argumento dos reacionários para justificar o linchamento. Parecia que a Rachel Sheherazade tinha escrito a nota. Ou seja, se foi linchado, a culpa é da vítima.

Não tendo outro argumento para defender suas barbaridades, o coletivo JUNTOS acusa este blogueiro de caluniá-los. Tem um vídeo mostrando que chutaram a cabeça do Alexandre Dornelles, em emboscada, e ainda falam em calúnia e briga de rua!!!

Patético.

Ainda, sem qualquer prova, continua afirmando que existem relatos de agressão por parte de Alexandre:

“Ele já possui um histórico de truculência e violência. Inclusive, tem contra si relatos de agressão contra mulheres e de ordem judicial para que ele não chegue perto de uma ex-companheira.”

A nota afirma, como se fosse uma justificativa plausível para a agressão criminosa, que existe um suposto histórico de agressão contra mulheres.

Protetiva

Medida protetiva estendida reciprocamente, onde aponta que quem chegar primeiro em um local público, fica primeiro e o outro não entra.

Reafirmo que este blogueiro pôde verificar essas denúncias de agressão junto à polícia e ao Poder Judiciário. São inexistentes!!! Não há qualquer laudo sobre lesão corporal contra qualquer mulher, muito menos uma ex-companheira ou namorada. Além disso, a denúncia feita por uma ex-integrante do Barricadas se deu por motivação exclusivamente política, pois foi expulsa dessa organização e ingressou em outro grupo político rival do seu anterior. Sendo que, a partir desse momento, ingressou com a denúncia caluniosa e a medida protetiva também afetava a sedizente vítima. Como já disse, ao ponto de uma juíza, mulher, decidir, no dia 09/12/2014, que “em locais públicos, diante da proibição recíproca, quem chegar primeiro pode permanecer e o segundo não entra.”

Vale ressaltar que essa postura é repugnante dentro dos espaços de militância em Porto Alegre, pois não são raros os casos de acusação caluniosa de “machismo” contra adversários políticos.

“Necessário também repudiar a postura do blogueiro Thales Bouchaton, que faz uma narrativa distorcida dos fatos (como, por exemplo, ao citar que as mulheres foram agredidas) e que incorre na prática de calúnia ao tentar imputar o grave crime de tentativa de homicídio a uma briga de rua.”

Alexandre agredido por trás

Momento em que a vítima é arremessada para frente em razão de ter sido atingida pelas costas.

Afirmo e repito: Não foi briga de rua, foi emboscada. Todos viram isso. Foi agressão por trás, como demonstrado na imagem.

E chute na cabeça pode, sim, caracterizar o crime de homicídio, na modalidade tentada. E as mulheres mostram fotos nas quais estavam com marcas de agressão e é possível ver no vídeo que levaram bordoadas ao tentar apartar a agressão (no minuto 2:24, por exemplo, Elisa leva um soco no peito ao tentar afastar um agressor – M.A.P.S – de Alexandre). 

A jurisprudência é pacífica nesse sentido.

“HABEAS CORPUS. TENTATIVA DE HOMICÍDIO. MANUTENÇÃO DA SEGREGAÇÃO CAUTELAR. Paciente preso desde 10 março de 2014. (…) Suposta agressão com socos e chutes na cabeça. Periculosidade concreta. ORDEM DENEGADA. (Habeas Corpus Nº 70058961764, Terceira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Diogenes Vicente Hassan Ribeiro, Julgado em 08/05/2014).

Além disso, o próprio Código Penal define a emboscada como qualificadora de um crime:

PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. TRIBUNAL DO JÚRI. TENTATIVA DE HOMICÍDIO (CP, ART. 121, § 2º, IV, C/C ART. 14, II). AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS. QUALIFICADORA PELA EMBOSCADA CORRETAMENTE RECONHECIDA. AFASTAMENTO DA TESE DE DECISÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS. POSSIBILIDADE DO CONSELHO DE SENTENÇA ACOLHER UMA DAS VERSÕES APRESENTADAS. NULIDADE AFASTADA. – (…) – A emboscada é reconhecida quando há tocaia, (…) aguardado ocultamente a passagem ou chegada da vítima, que se encontra desprevenida, para o fim de atacá-la. – Parecer da PGJ pelo conhecimento e desprovimento do recurso. – Recurso conhecido e desprovido.(TJ-SC – ACR: 534151 SC 2009.053415-1, Relator: Carlos Alberto Civinski, Data de Julgamento: 03/08/2011, Quarta Câmara Criminal, Data de Publicação: Apelação Criminal n. , de Itaiópolis)

Portanto, não há nada de calúnia e sim a opinião juridicamente embasada em um fato concreto, que pode sim caracterizar uma tentativa de homicídio, mediante emboscada, pelos chutes na cabeça, nas circunstâncias mostradas no vídeo.

Logo após, a nota tece comentários sobre as relações pessoais desse blogueiro, que não vou nem me dar o trabalho de responder, diante de tamanha baixeza do argumento. Como se fosse mudar ou justificar o fato ocorrido.

Ainda, obtive informações de fontes seguras, de gente próxima aos membros do JUNTOS/MES/PSOL, que a postura da organização política, tanto no partido quanto no DCE, será a de defesa dos envolvidos, com argumentos da necessidade de “ajudá-los a superar, ressocializar, e que não merecem ser punidos”, ou seja, de fazer com que os agressores se tornem vítimas e as vítimas os responsáveis por serem atacados. Que é muito parecido com o conteúdo da nota do JUNTOS.

Pasmem!

Por sinal, a concepção ou conceito de autocrítica do JUNTOS/PSOL-RS é lamentável, pra não dizer outra coisa. Usam os mesmos argumentos daqueles que justificam, por exemplo, o estupro de mulheres que usam roupas curtas. Ou seja, a culpa é da vítima.

Além de não atacar o argumento, e sim o argumentador.

Se o JUNTOS, com essa postura lamentável, é o futuro da Esquerda, façam como o Chico Buarque: “Chamem o ladrão!”

É evidente que o PSOL e o JUNTOS não possuem responsabilidade jurídica sobre o caso. Porém, ao lançar notas desse nível, assumiram toda a responsabilidade política pelo ocorrido, pois está latente, até mesmo pelo comportamento de alguns membros do partido nas redes sociais, que o caso será abafado. Além disso, sequer mencionaram o fato de seus filiados terem mentido nas redes sociais, em suas páginas pessoais no Facebook, sobre o ocorrido.

***

NOTA “EDITORIAL” DESTE BLOG

O que é um blog? É uma ferramenta que surgiu com a internet e que proporciona que qualquer um que tenha uma ideia, uma opinião, seja ela qual for e do que for e a exponha para o mundo. Ou seja, o que antes era monopólio dos grandes veículos de televisão, rádio, jornais e revistas agora tornou-se uma ferramenta incrível que deu o poder de opinião para qualquer pessoa.

O Sul21 é um veículo de comunicação baseado nas novas mídias colaborativas da Internet 2.0, conforme definição do editorial do Jornal. Nele, contribuem colunistas e blogueiros de diversos matizes ideológicos, geralmente dentro do campo da esquerda, e entre eles existem profissionais de diversas áreas, como advogados, políticos e, evidentemente, jornalistas.

Eu, ao contrário de já ter sido referenciado algumas vezes como “jornalista”, o que muito me envaidece, não tenho essa formação. Sou apenas um reles advogado metido a blogueiro e que teve um espaço gentilmente cedido pelo Sul21, o que muito me honra e orgulha.

Estou com esse espaço há quase dois anos e nunca sofri qualquer tipo de ordem ou censura de quem quer que seja. Sempre tive liberdade de escrever sem interferências, ou seja, tudo o que escrevo vem das minhas ideias, da minha convivência, da minhã opinião e da minha visão de mundo. E esse blog faz exatamente isso: opina, principalmente, sobre política e religião. Portanto, não busco aqui fazer jornalismo e sim escrever um blog com opiniões políticas.

Quanto a postagem anterior, da divulgação das imagens da emboscada contra o dissidente do PSOL, reafirmo: não sou jornalista, sou ADVOGADO, e quando me deparo com a possibilidade de escrever ou divulgar algo de conteúdo jornalístico, como foi o vídeo dessa covarde agressão, sigo entendimento das leis e dos tribunais sobre o tema, oferecendo o espaço para o contraponto de quem quer que seja, e disponibilizando meus contatos neste espaço, mesmo não tendo nenhuma obrigatoriedade legal, ainda mais por se tratar de um blog.

Poderia muito bem ter citado o nome dos agressores, mas sempre fui um defensor da presunção da inocência e da privacidade em casos como esse, ainda que as imagens falem por si. Colocar o nome completo dos que participaram dessa emboscada faria com que qualquer pesquisa feita pela internet mostrasse eternamente que estiveram envolvidos nesse episódio lamentável. E a minha intenção nunca foi prejudicar alguém, mas esclarecer os fatos. Ao contrário dos agressores, não sou adepto de linchamentos, apenas busquei a verdade e apresentei meu ponto de vista sobre o episódio.

E aqui agradeço, desde já, os profissionais de diversos veículos de comunicação que me procuraram para obter mais informações e que me elogiaram pelo trabalho. Vindo de profissionais sem qualquer vinculação política com ambos os lados, me sinto muito gratificado pelo reconhecimento.

Este blog segue com o propósito de apresentar opiniões e, sempre que possível, apresentarei provas que tragam à tona a verdade sobre acontecimentos os quais tenho conhecimento, sempre mantendo meus princípios de preservar indivíduos que possam se prejudicar pela pura e simples exposição neste espaço.

Imagens mostram integrantes do PSOL agredindo dissidentes do partido na saída de festa no DCE da UFRGS.

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Alexandre Dornelles, militante dissidente do PSOL que foi agredido.

Através das redes sociais, fiquei sabendo de uma suposta emboscada em que três militantes de esquerda, dissidentes do PSOL, teriam sofrido na última sexta-feira (31/7) na Av. André da Rocha, quase na esquina com a Av. João Pessoa, em Porto Alegre.

As fotos publicadas nas redes sociais mostram a primeira vítima com o braço quebrado e diversas escoriações pelo rosto e corpo. As outras vítimas apresentam roxos e arranhões. A gravidade do caso me chamou a atenção e, como também sou militante e condeno a violência, procurei apurar o ocorrido e identificar os envolvidos. Assim, tive acesso às câmeras de vigilância do local e obtive as imagens que reproduzo abaixo, seguido da descrição dos fatos.

Os agressores seriam integrantes do Juntos (organização ligada ao PSOL) e do MES (corrente interna do PSOL) e estão identificados apenas com as iniciais.

Esse vídeo que será mostrado abaixo foi costurado de modo a dar linearidade ao ocorrido, em razão das diversas câmeras de segurança no local e da longa duração dos arquivos. Porém, para não haver dúvidas de sua veracidade ou eventuais alegações de manipulação, todos os vídeos de todas as câmeras de segurança que me chegaram sobre o lamentável episódio estão publicados na íntegra ao final desta postagem.

O vídeo inicia na Av. João Pessoa, quando ao centro da tela surgem as três vítimas: Alexandre Dornelles, Angel Duran e Elisa Benedetto. Os três saem da festa e vão em direção à Av. Des. André da Rocha, onde está o carro de um deles.

Aos 11 segundos, duas pessoas correm também em direção à esquina. A primeira é E.G., uma mulher de blusa preta, dread locks nos cabelos e casaco branco amarrado na cintura. O segundo é M.A.P.S., de camiseta listrada e mochila nas costas. Ele faz sinal e logo se aproximam outras três pessoas: T.L.S., de vestido branco, calça preta e bolsa a tiracolo; R.S.A., de calça e blusa escuras e mãos no bolso; e G.F.B., de camisa xadrez e mãos pra trás.

Aos 36 segundos é possível ver as vítimas seguindo pela André da Rocha e E.G. atravessar a rua enquanto olha para os três.

Por outro ângulo, vê-se os três caminhando em direção ao carro e E.G. atravessando a rua e seguindo na mesma direção das vítimas (0:45).

Os outro quatro agressores param por alguns instantes na esquina (0:58) e logo seguem pela mesma rua (1:13). Aos 01:21, M.A.P.S. e R.S.A. olham para trás, conferindo se não havia mais ninguém e avançam seguidos por G.F.B. e T.L.S.

*uma pessoa que se identificou como membro de uma corrente interna do PSOL chamada TLS – Trabalhadores em Luta Socialista, entrou em contato comigo para solicitar que fique claro que é uma a pessoa identificada como T.L.S e não  a corrente TLS. 

Em outra câmera, mais à frente, as três vítimas seguem lentamente e separam-se: Angel e Elisa seguem na calçada para entrar no carro pelo lado do carona e Alexandre avança até a rua para entrar pela porta do lado oposto, do motorista (1:45). Os três saem do campo de visão da câmera e aos 2 minutos de vídeo M.A.P.S. larga a mochila no chão e sai correndo, seguido por R.S.A., em direção a Alexandre. Aos 2:02 G.F.B. vai atrás e T.L.S. recolhe a mochila do chão e segue os comparsas.

Nesse momento, segundo os relatos, Alexandre foi atingido pelas costas com uma voadora seguido de chutes e socos dos três agressores. Correu em direção à Av. João Pessoa, mas nos primeiros passos levou uma rasteira de M.A.P.S. e aos 2:17 reaparece no vídeo sendo arremessado ao chão. M.A.P.S. está na sua cola e dá dois chutes até Alexandre agarrar suas pernas, quando desfere três socos “mata-cobra” até cair no chão. G.F.B. se aproxima e dá três chutes e R.S.A. tenta desvencilhar o comparsa.

A partir daí Angel e Elisa retornam ao vídeo e mais três mulheres se aproximam pela esquerda do vídeo na tentativa de acabar com o linchamento.

Elisa afasta R.S.A. e G.F.B. e puxa M.A.P.S. para longe de Alexandre. Nesse momento, Angel e Elisa estão tentando livrar Alexandre e sobram socos e chutes para ambas. T.L.S. observa tudo, inclusive a agressão às mulheres, bem de perto, inerte.

Aos 2:34 um homem de camiseta preta chega correndo pelo meio da rua e os agressores se afastam em direção à Av. João Pessoa. Os quatro se afastam calmamente ainda apontando o dedo para as vítimas, com aparentes ameaças.

Aos 2:51, E.G. pode ser vista atravessando novamente a rua e juntando-se aos agressores.

Angel e Elisa aparentemente respondem às ameaças de longe. Elisa leva Alexandre até o carro e volta para buscar Angel para irem embora.

Por outro ângulo os quatro podem ser visualizados ainda apontando o dedo durante as ameaças.

Aos 4:02 E.G. aparece correndo e aos 4:19, em outra câmera, E.G. abraça e beija M.A.P.S.

Aos 4:29 surgem no vídeo T.I.P., aparentemente de blusa vermelha e cabelo preso, e Y.A., de camiseta e calça pretas. Eles correm em direção à André da Rocha e logo atrás vem C.N.O., blusa preta com faixa branca na frente e calça preta. Todos correm até o local previamente combinado na intenção de se somarem ao linchamento. Com a chegada de testemunhas, as agressões cessam e os três, que chegaram atrasados, se juntam aos demais ao lado da fileira de táxis, onde os agora oito iniciam, aparentemente uma leve comemoração.

M.A.P.S., R.S.A.  e G.F.B. saem do vídeo em direção à João Pessoa e os demais seguem na André da Rocha. Os três voltam até as proximidades da festa quando percebem que os demais não estão juntos. Aos 5:19, R.S.A. retorna ao local para chamar os cinco comparsas que permaneceram confraternizando no local. Todos saem juntos de volta à festa.

A agressão ao Alexandre, que foi atendido no Hospital de Pronto Socorro para cuidar de seus ferimentos, causou diversas escoriações pelo seu rosto e corpo, além de um cotovelo quebrado.

Os relatos dão conta que Angel e Elisa retornam à festa para denunciar a todos os participantes e organizadores sobre o que havia acabado de acontecer e, com isso, teriam sido agredidas com gritos de “mentirosas”, “cala a boca”, além de empurrões, socos, chutes e arranhões por todos os envolvidos no linchamento e mais dezenas de outras pessoas que estavam na festa, entre elas militantes de outras organizações políticas, como o PCB. Os presentes bloquearam a escada que dá acesso a sede do DCE, onde estava M.A.P.S., para impedir que as mulheres chegassem até ele.

Enquanto isso os três homens da organização presentes no local filmavam tudo. Um deles, inclusive, foi agredido por estar filmando e não reagiu ao ataque.

foto DCE

Nesse momento, foram encarceradas em um vão ao lado da escada, envolto por grades, engaioladas (!) onde, segundo informações, teriam sido atingidas por pedras de gelo e contra elas foi esvaziado um extintor de incêndio.

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Fumaça do extintor de incêndio.

 

 

 

 

 

 

Nesse local, teriam sido agredidas diversas vezes, o que resultou nos hematomas abaixo:

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Ao ver as imagens, me causou espanto identificar integrantes do PSOL entre os agressores. Não quero crer que o mesmo partido que tem como uma de suas principais bandeiras os direitos humanos (fazendo parte de comissões sobre o tema em âmbito parlamentar), tenha conivência com o ato dessas pessoas entrincheiradas em suas fileiras.

As vítimas integram uma organização política dissidente do PSOL e fazem duras críticas ao partido, porém, pelo que investiguei, sem nenhum histórico de violência física.

Também nas redes sociais vi algumas pessoas acusando Alexandre, que foi linchado no vídeo, de ter agredido uma mulher há cerca de um ano, fato que está sendo usado agora para “justificar” o linchamento. Como se fosse justificável.

Como advogado, tive acesso a todos os documentos do processo e constatei que a mulher não apresenta provas e nem sequer afirma ter sido agredida fisicamente, nem perante a justiça, nem perante a polícia. Também pude verificar a ficha crime da vítima, na qual não existe nenhum registro de agressão.

Aliás, a própria falta de sustentação da denúncia fez uma juíza, mulher, determinar um precedente jurídico, portanto inédito, de que quem chegasse primeiro em algum lugar público ficaria no lugar. A medida protetiva já caiu inclusive. Ou seja, essa medida valia para os dois, não apenas para o Alexandre.

Em minha peregrinação para apurar os fatos e ouvir todas as versões, retornei às redes sociais. O primeiro depoimento que encontrei foi de uma das envolvidas, T.L.S.

TLS1 corrigido

 

TLS1 2 corrigido

 

 

TLS2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No relato ela afirma que a vítima provocou um “companheiro do Juntos” (organização política ligada ao PSOL, da qual T.L.S. faz parte) e os dois brigaram. Quanto a provocação, não há nada no vídeo que comprove essa afirmação, pelo contrário. No vídeo, Alexandre sai acompanhado de duas mulheres, tranquilamente, sem olhar para trás, não havendo nenhuma conduta atípica por parte deles. Estava aparentemente de alpargatas e com uma mochila nas costas.

Ressalto que pelas pesquisas que fiz, Alexandre fez há menos de um mês uma cirurgia para remover uma hérnia inguinal na perna direita.

Ou seja, diante das circunstâncias, não há como dizer, além de não ser minimamente razoável afirmar, que Alexandre estava “querendo briga”.

Já quanto a versão da briga, ao meu sentir, não há concordância entre a postagem feita por TLS e as imagens. Em seguida ela aponta a vítima como agressor e truculento, fato que não identifiquei em nenhuma de minhas pesquisas, conforme relatei acima.

Nos comentários da mesma postagem, T.L.S. afirma que viu tudo e que estava indo pegar um táxi quando “deu o rolo”. Depois acusa as mulheres do grupo de terem agredido outras pessoas, fato que até o momento também não vi comprovação.

Veja agora o depoimento na página pessoal de outro envolvido, G.F.B, conforme print abaixo:

GFB1

 

 

 

 

 

 

 

 

Inicialmente, ele afirma não ter agredido ninguém, mas tentado separar a “briga”. Em seguida ele afirma que não estava no DCE quando as duas retornaram, mas veja a imagem abaixo.

G.F.B. no DCE

G.F.B, de lado, com óculos, no DCE, ao contrário do seu depoimento no Facebook.

Minutos depois, G.F.B. edita sua postagem, passando a afirmar que não estava envolvido, “mas pude observar tudo”:

GFB2 (1)

 

 

 

 

 

 

 

 

Pelo que percebo, a tentativa de membros do PSOL e de seus aliados nesse episódio é desqualificar o agredido, dizendo que o mesmo mereceu sofrer a agressão, além do fato de que suas teses defensivas não se sustentam minimamente, de acordo com as imagens.

No meu entender, é inadmissível essa defesa da violência como forma de resolver as divergências, sejam elas políticas ou em qualquer âmbito. Essa argumentação é antagônica com tudo o que o PSOL diz defender, como os direitos humanos e o fim da violência.

Vislumbro nas imagens, inclusive, uma conduta que poderia ser enquadrada como uma possível tentativa de homicídio contra a Alexandre, pois um dos agressores parece chutar a cabeça de Alexandre, enquanto ele estava no chão.

Poderia ter acontecido algo muito pior, inclusive pela aparente premeditação na conduta criminosa.

Salvo a aparição de imagens em sentido contrário, fico com a opinião de que houve uma verdadeira covardia nesse episódio. Tanto pelas agressões mostradas nas filmagens, quanto pelas aparentes inverdades postadas nas redes sociais pelos supostos agressores.

Vivemos em um Estado Democrático de Direito que não pode admitir que cidadãos cometam tais atrocidades. Que o PSOL, o DCE da UFRGS e as demais organizações envolvidas se posicionem sobre a postura de seus integrantes nesse lamentável ato de violência.

Curiosamente e infelizmente, essa mesma rua era usada para torturar e assassinar militantes durante a ditadura militar.

Esse espaço está democraticamente ao contraponto.

Todas as fotos foram retiradas das redes sociais e estão abaixo, a exemplo dos vídeos

 

 

 

 

Atendimento HPS

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Sartori no volume morto

sartoriricaO maior erro político da história do Rio Grande do Sul foi eleger o atual Governador, José Ivo Sartori, para a chefia do Palácio Piratini pelos próximos quatro anos. Chancelado pela mamãe, foi eleito num verdadeiro cheque em branco com a promessa de não prometer nada, de braços e sorriso abertos dizendo, aos quatro ventos, que seu partido é o Rio Grande.

Ou seja, balela.

O primeiro erro do povo gaúcho foi reeleger o PMDB, sendo que os mesmos nomes estão com o Sartori estiveram no governo Britto, Rigotto e Yeda. Ou seja, certeza de cortes em serviços públicos essenciais, como saúde e segurança, e arrocho, atraso e parcelamento salarial dos servidores públicos estaduais. Logo depois viria aquela velha lenga lenga privatizadora, de que as estatais dão prejuízo e etc. Logo, vamos vender.

Ou seja, a prática é clara: sucatear o Estado para vendê-lo a preço de banana.

Não se desconhece e nem se despreza  o fato de que os problemas estruturais do Rio Grande do Sul são de décadas e não é culpa do atual governo. Porém, nos últimos 50 anos, o grupo político que atualmente comanda o Executivo gaúcho esteve em, pelo menos, 42 deles no poder e foi o grande responsável pela desordem financeira que se encontra o Rio Grande do Sul.

Sartori administrou Caxias do Sul, uma cidade rica, com PIB per capita de mais de 50% maior do que o do Rio Grande do Sul. Ou seja, administrar na fartura é fácil. Na escassez é que se demonstra ser um grande administrador, o que, até o momento, o atual governador não se coloca nem perto disso.

O único discurso de que Sartori tinha, que era de colocar a culpa das mazelas do Estado no governo Tarso, evaporou, pois o Tribunal de Contas do Estado aprovou, por unanimidade, as contas da gestão anterior, pondo uma pá de cal nessas falácias sartorianas.

Portanto, o governo Sartori está no volume morto e não se vislumbra, a curto prazo, que este governo possa vir a decolar, pois administrar o Estado com a mesma fórmula do Britto e da Yeda, a mesma história já se repetiu como tragédia. Agora veio a farsa.

Redução da maioridade penal – Vencemos uma batalha, mas a guerra ainda não terminou.

Cunha

A cara do Cunha, na hora de sua derrota na votação da PEC 171, da redução da maioridade penal.

 

Sou ateu e acredito, com argumentos científicos, que Jesus Cristo jamais existiu. Não passou de uma mitologia criada com finalidade política para controle social da sociedade. A bíblia nada mais é do que um conto de fadas, com histórias sanguinárias, onde crianças são mortas por dar risadas de carecas ou mortas e estupradas a mando do próprio “Javé”. Ou seja, alguma coisa está muito errada.

Mas nesse livro, no qual quase 90% da população brasileira acredita, a maioria sem fazer algum tipo de crítica mais apurada, se baseando apenas no senso comum, se tira algumas histórias interessantes que servem para combater aqueles fundamentalistas fanáticos que dizem seguir esse livro, mas não retiram nada de bom nele.

Acredito que se Jesus voltasse hoje, além de ser chamado de comunista e petralha, não faria pregação pela redução da maioridade penal, justamente pelo contrário. Penso que Jeeesus estaria sentado ao lado de preto, pobre, vagabundo, prostituta e não ao lado de Cunhas, Malafaias, Felicianos e outras figuras do tipo.

De acordo com as mais variadas pesquisas, cerca de 90% da população é a favor da redução da maioridade penal e o argumento de quem defende é justamente esse: o povo é a favor, logo, a maioridade deve ser reduzida. Só que estes esquecem que Direitos Humanos são inegociáveis e a sociedade evoluiu a a tal ponto que todos cidadãos são dotados de direitos e garantias fundamentais contra a opressão do Estado. Caso contrário, viveríamos no “olho por olho”. Tortura, espancamentos, pena de morte e etc, estariam a pleno vapor. Desavenças pessoais seriam resolvidas a bala e não no judiciário. Enfim, viveríamos a barbárie.

Curiosamente estes que defendem o argumento  da “ditadura da maioria”, geralmente cristãos e seguidores de Jesus Cristo, esquecem que esse argumento é falho. Hitler cometeu uma das maiores atrocidades da história da humanidade apoiado pela maioria, além de que o próprio Jesus foi morto a pedido dessa mesma maioria.

“E, respondendo o presidente, disse-lhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás. Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.O presidente, porém, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado. Mateus 27:15-23

Ontem, por mais que a maioria da sociedade pense o contrário, houve uma vitória do povo brasileiro na Câmara dos Deputados. A redução não resolve nada, pelo contrário, só piora e os argumentos não precisam aqui ser arguidos por mim. Todos sabem.

A redução da maioridade penal, ao contrário do que o senso comum pensa, não é Justiça. É vingança. Não educa, não transforma, ressocializa, não resolve nada. Só piora.

Aqui vale agradecer ao movimentos sociais e aos 184 deputados federais que não se intimidaram com o “clamor popular” e o argumento falacioso de que a redução irá resolver a criminalidade.

E aqui faço uma menção especial ao Professor Jader Marques, que foi um lutador monstruoso, colocando sua cara a tapa contra sociedade para defendê-la dela mesma, remando contra o clamor popular em sua cruzada contra a PEC 171.

Mas a luta ainda não acabou. Cunha ainda vai manobrar e tentar empurrar a redução agora para TODOS OS CRIMES, e não só para os crimes hediondos.

Ganhamos a batalha, mas a guerra ainda continua.

Redução da maioridade penal – A emenda pior do que o soneto

Sidnei Brzuska

Dr. Sidnei Brzuska (Reprodução: Jornal do Comércio)

O juiz da Vara de Execuções Penais da Comarca de Porto Alegre, Dr. Sidnei Brzuska, postou em seu Facebook um texto que deve ser compartilhado para esclarecer as aberrações que a redução da maioridade penal irá causar no sistema jurídico-penal brasileiro.

Vale a pena a leitura.

A EMENDA PIOR QUE O SONETO

Como era esperado, começa a passar na Câmara dos Deputados a redução parcial da menoridade penal para 16 anos, para crimes hediondos.

Vejamos como isso funcionará na prática, em casos corriqueiros.

Um jovem de 17 anos é preso e denunciado por homicídio qualificado (delito hediondo). A denúncia é recebida e ele é processado e pronunciado por homicídio qualificado, perante a Vara do Tribunal do Júri.

Lembrando sempre que, nos homicídios, é o povo quem tem a competência para julgar, bem como a palavra final quanto ao tipo de crime.

Três anos depois, quando o jovem já tem 21 anos (os processos de júri são mais morosos), ele é levado a julgamento no Tribunal do Júri. Os jurados acolhem a tese acusatória e o condenam por homicídio. Porém, rejeitam a qualificadora, o que faz com que o homicídio volte a ser crime simples (não hediondo).

E daí? Como é que fica?

O acusado, sendo menor inimputável na época do fato, afastando os jurados a qualificadora do homicídio, o Tribunal do Júri não tem competência para julgá-lo. Muito menos para condená-lo.

O processo voltará a estaca zero? Os autos serão remetidos para a Vara da Infância e Juventude? Mas agora ele já tem 21 anos e não pode mais cumprir medida socioeducativa.

Ficará impune o homicídio??

Agora, admitindo-se a hipótese da redução parcial da idade penal, também para o homicídio simples, com o que estaria superado o impasse colocado, em várias outras situações os crimes cometidos por adolescentes ficariam impunes. Como por exemplo os crimes conexos aos delitos hediondos, tais como porte de arma, receptação, associação para o tráfico, adulteração de documentos, etc.etc.

Exemplo: adolescente com 17 anos é apanhado em boca de tráfico, com trouxinhas de maconha e portando uma pistola. Pelo tráfico, ele responderia na Vara Criminal, pois seria imputável. Porém, o jovem seguiria inimputável para o crime de porte de arma. E o adolescente não pode ficar internado na FASE pelo porte e, ao mesmo tempo, preso no Central pelo tráfico.

Meu breve encontro com o Mujica

Desde pequeno somos condicionados a admirar pessoas, sejam ela famosas ou não, por terem feito algo que seja representativo para nós, sejam eles na família, no cinema, no esporte e etc. E acho que isso é algo importante, quando saudável, na formação de uma pessoa, pois nos espelhamos nestes e buscamos tirar o melhor de nós e termos, ao menos, alguma virtude das pessoas que admiramos.

Me lembro do meu primeiro ídolo, que deve ter sido o primeiro de milhares e milhares de pessoas: Ayrton Senna.

Era, com pouco mais de 3 anos de idade, fanático pelo Senna. Acordava cedo todos os sábados e domingos para vê-lo. Lembro que meu pai me presenteou com Lotus preta dele de brinquedo. Subia em cima do carrinho, pedalava o dia inteiro pensando que eu era o próprio Senna. Um dos momentos mais tristes da minha infância veio quando a roda traseira direita do carrinho caiu, em 1989, creio eu. Morava na Rua Bolívar, em Copacabana, no Rio, e ali tinha um quartel do Corpo de Bombeiros, onde as crianças da rua sempre iam ali para brincar, quando liberavam. Deixei com um bombeiro conhecido que disse que ia arrumar e o carrinho sumiu, evidentemente. Que espécie de ser humano rouba um carrinho de brinquedo de uma criança?

Não é preciso dizer que a morte dele foi devastadora, não só para mim, mas para milhões de pessoas.

Depois do Senna, veio o time do flamengo campeão brasileiro de 92. Naquele ano, com pouco mais de 8 anos, foi consolidada minha paixão pelo futebol. Quando jogava no gol, eu era o Gilmar. Quando jogava na zaga e tirava uma bola, era “Júúúúúnior Baiano”, quando jogava no ataque, era o “Gaúcho”, mas o preferido era o maestro Júnior, que mesmo aos 38 anos de idade, jogou o fino da bola naquele campeonato. Não é a toa que ganhou a bola de ouro da placar naquele ano.

Depois veio Romário. Já era fã do baixinho, mas o dia que ele chegou no Flamengo, em 1995, foi especial, para o bem e para o mal. Imagine hoje algum time brasileiro trazendo o Messi ou o Cristiano Ronaldo para jogar aqui. Foi essa a façanha que o Flamengo conseguiu naquela época. E la fui eu com meus 11 anos de idade para recepcionar o melhor do mundo na Gávea, juntamente com minha irmã.

Depois de ver o melhor jogador de futebol do planeta pessoalmente, a poucos metros de você, vestindo a camisa do seu clube, o que é algo extraordinário e inesquecível para qualquer criança naquela idade, eu e minha irmã estávamos voltando da Gávea, passando pela COBAL do Leblon, quando sofri o primeiro assalto de minha existência. Dois gatunos passaram de bicicleta e levaram meu relógio. Queriam levar também a minha camisa novinha do Flamengo de nº 11 também, mas aí falei pros meliantes: “a camisa do Mengão não né amigão?”. Não sei se eram vascaínos ou flamenguistas que entenderiam a dor que é perder o seu manto, mas no final me deixaram com a camisa.

Passados os anos, aquilo que era idolatria passa virar admiração. Os ídolos passam do mundo esportivo para o mundo musical e político. Era fã do Green Day e hoje sou alucinado por Pearl Jam. Quase fui a falência comprando o ingresso pro show na Arena em novembro.

Já na política, fui para o campo das esquerdas, evidentemente. Lula era o cara, assim como o Olívio por aqui e o bolivariano Hugo Chávez. Até que, em 2010, surgiu a figura que com sua simplicidade e suas ideias progressistas, o presidente de um pequeno país sul-americano se tornou importante voz a ser ouvida nos quatro cantos do mundo: Pepe Mujica.

Com seus discursos contra o consumismo desenfreado e principalmente na questão da implantação de uma nova abordagem sobre a questão da maconha, Mujica virou um ícone para muita gente, inclusive para mim. Por óbvio, todos querem conhecer aquelas pessoas que admiramos.

Em março desse ano (2015) fui com meu pai, que é uruguaio, para Montevidéu visitar minha avó, que estava internada num hospital, que já está melhor, diga-se de passagem. Nunca imaginei sequer na possibilidade de encontrar o Mujica, nem que fosse para tirar uma foto. Até que conversando com um amigo meu que mora por lá (não revelo seu nome por não saber se ele quer ter seu nome revelado) disse que tinha uma amiga que trabalhava no parlamento uruguaio e poderia me conseguir uma audiência no gabinete do Senador José Mujica. Fiquei alucinado. Só queria uma foto e agora poderia ter uma audiência com o Mujica? Demais.

Mas como tudo o que é bom dura pouco…

Conforme o combinado, me dirigi a recepção do Parlamento uruguaio e solicitei falar com essa funcionária que, pro meu azar, tinha ficado doente no dia e não foi trabalhar. Como prêmio de consolação, ao menos, tinha sessão extraordinária do Senado, com a presença do Mujica em pessoa. Fui assistir, já que não é todos os dias que se assiste uma sessão legislativa em um parlamento, ainda mais no exterior.

Terminada a sessão, frustrado por não conseguir a foto com o Mujica, me dirijo a saída do prédio do Senado, quando uma funcionária me chamou e disse que o Pepe sairia por uma determinada porta, que se eu esperasse poderia pegar ele na saída. Foi o que fiz.

Fiquei plantado na saída do prédio esperando por ele. Reparei que a segurança do local ficava me rodeando por estar ali parado, mas não chegaram a me abordar. Apenas notei que de dois policiais que haviam no local, surgiram mais quatro, mas logo após desapareceram, provavelmente por descobrirem o motivo de eu estar ali.

Se passaram 10, 20, 30 minutos, 1 hora, 2 horas e nada do Pepe. Já estava desistindo da empreitada quando eis que me surge o Mujica saindo do prédio, sozinho, sem nenhum mísero segurança em sua volta. Com sorriso de orelha a orelha, me dirijo ao Mujica e lhe chamo: “Pepe!!!”. E ele muito atenciosamente me atende. Digo que sou brasileiro, sou um fã e todo aquele blá blá blá e peço para tirar uma foto com ele, que diz “Claro”. Saco o meu celular e ele brincando diz “ah, una selfie”, respondo que sim, damos umas risadas, tiramos a foto. Quando estou agradecendo pela foto e me despedindo, me pergunta “Como está o Brasil?”, se referindo a política. Digo que está situação está tensa, com as manifestações e a ameaça de impeachment, e etc, e ele responde “Temos que lutar”. Nos despedimos e fui para casa com uma felicidade indescritível.

E aí está o fruto de todo esse trabalho. Pode parecer pouco, mas essa foto representa muito. Ao menos para mim.

Mujioca

 

Os “indignados” contra a corrupção desmascarados em uma foto.

Eduardo Cunha et catervaLogo quando acordei pela manhã e me dei conta do contragolpe do Eduardo Cunha na questão do financiamento privado de campanha, me deu uma vontade tremenda de pegar o carro e abandonar o país rumo a terra de Dom Pepe Mujica, mas de pronto abortei a ideia pois amo esse país, mesmo com as mazelas conservadoras que nos assolam nos últimos tempos.

Pensei em escrever um texto a respeito disso, mas aí me deparei com esta bela foto na página do “Quebrando o Tabu” no Facebook: o “responsável” pelas manifestações contra a “corrupção” ao lado de um dos acusados na Lava-Jato de corrupção.

Sem falar no Bolsonaro  e cia.

Essa foto mostra muito bem a realidade da indignação seletiva contra a corrupção por grupos ligados ao PSDB e que se dizem apartidários.

Enfim, precisa de legenda?

Durma com um barulho desses.

O cavaleiro solitário da Zelotes. E do HSBC.

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Deputado Federal Paulo Pimenta – PT/RS (Reprodução Congresso em Foco)

Quem acompanha o Sul 21 e as demais mídias alternativas conhece bem o que se passa, ou ao menos o que deixa de passar na grande mídia, sobre a Operação Zelotes e o “HSBC”, que foi muito oportunamente definido pelo Deputado Federal pelo PT e atual Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, como possivelmente o “maior esquema já detectado de corrupção no mundo”.

Todos os dias abrimos o jornal ou vemos na TV algo negativo sobre a Petrobrás, o PT, Lula, Dilma e etc. E a Zelotes? E o HSBC? E o Mensalão Tucano? E o Trensalão?

Praticamente nenhuma linha. Para não dizer nenhuma.

Só no caso do HSBC é estimado que tenham sido movimentados nesse monstruoso esquema de evasão de divisas e sonegação fiscal a quantia de, aproximadamente, 7 bilhões de dólares. E na Zelotes outros 19 BILHÕES de reais, enquanto a midiática operação “Lava Jato” apuram desvios de “apenas” 2,1 bilhões de reais.

Ou seja, a Zelotes e o HSBC movimentaram cerca de 40 bilhões de reais, quase 20 vezes mais do que a “Operação Lava Jato”, mas com 20 vezes menos espaço na grande imprensa e sem a mesma indignação dos paneleiros do Leblon, dos Jardins ou do Bela Vista.

Aécio Neves, José Serra e a camarilha tucana, sempre tão vociferantes para denunciar ou comentar supostos desvios contra o PT e contra o governo, que bradam ensandecidamente contra a “corrupção”, curiosamente, não falaram uma linha e tampouco assinaram o pedido de CPI do HSBC.

Tentando furar esse bloqueio midiático, o Deputado Paulo Pimenta luta, arduamente, para que essas investigações saiam do papel e alcancem os responsáveis por esse desfalque bilionário contra povo brasileiro.

Em artigo publicado na Carta Maior, o parlamentar tece críticas ao comportamento da mídia no caso HSBC, o que pode também ser estendido para a Zelotes: “Um caso que transborda hipocrisia de parte da grande mídia e casuísmo de ampla maioria da sociedade e que pode, ao fim, comprovar a seletividade de nosso sistema de justiça penal.” E continua: “A grande mídia parece estar constrangida e sem saber como lidar com o tema. Porém, tem a obrigação de informar a sociedade a respeito desse escândalo, especialmente se isso significa denunciar fatos que envolvem grupos historicamente por ela protegidos.”

Veja aqui: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/SwissLeaks-uma-oportunidade-historica/4/33284

Porém, a batalha não será fácil.

Olhando a listagem dos envolvidos na Zelotes e do HSBC, vemos o envolvimento das maiores empresas do Brasil, incluindo grupos midiáticos como a RBS, afiliada da Rede Globo, além de bancos como o Santander, Bradesco, Safra, Gerdau, além dos familiares e/ou proprietários dos Grupos Folha, Globo e diversos outros sócios de grupos de comunicação.

Ou seja, é uma luta hercúlea contra os maiores capitalistas do Brasil. Até porque Bradesco, Santander, HSBC fazem propagandas milionárias em qual empresa? Na Globo, é claro, e não tenho a menor esperança de ver a Globo fazer uma das suas reportagens investigativas, massacrantes e destruidora de reputações contra os seus financiadores.

Infelizmente, até o presente momento, não vi nenhum outro parlamentar encampar essa luta, seja ele da Câmara ou do Senado. Porém, essa não é uma luta de uma pessoa só. Ela precisa de apoio de todas os partidos, independente de espectro partidário, de esquerda ou de direita e não ser apenas a batalha de um cavaleiro solitário contra os verdadeiros achacadores e rufiões da pátria.

 

 

Se Dilma não vetar o PL da Terceirização, é o fim do seu governo. E do PT.

SP Bancários - TerceirizaçãoEnganam-se os anti-petistas em achar que os supostos escândalos de corrupção ocorridos no âmbito federal irão por fim ao PT. Depois que o partido sobreviveu ao mensalão, não será a Petrobrás que irá derrubá-lo – mesmo com toda a campanha midiática contrária contra o PT – como se ele fosse o criador da corrupção no país.

O PT não acaba. Pode enfraquecer em alguns momentos, mas são questões sazonais. Ao menos não por escândalos de corrupção, pois se fosse assim, o PSDB, DEM, PMDB, PP, PR e afins já tinham acabado há muito tempo.

O problema enfrentado pelo PT e pelo governo, atualmente, tende a se dissipar logo adiante, com o reaquecimento da economia e desgaste da sanguinária cobertura midiática da Globo, como ocorreu no mensalão.

O problema maior do PT, hoje, chama-se “PL da Terceirização”, que põe o partido, forjado e criado para defender os trabalhadores, numa situação complicada perante a opinião pública e a Câmara, ainda que o Presidente do Senado, Renan Calheiros, tenha dito que esse PL não seria aprovado pela casa. E Dilma deu algumas declarações sobre o tema de ficar com cabelo em pé.

Não me recordo, nos últimos anos, de um fato como esse do PL da Terceirização ter conseguido reagrupar todas as forças de esquerda no país, como ocorre no momento. É consenso, desde a esquerda mais radical até a mais “light”, que esse PL é um retrocesso aterrorizante. Além disso, pelo que vejo, é praticamente consensual que a esmagadora maioria da população é contrária a terceirização.

Sendo assim, caso esse PL seja aprovado pelo Congresso, Dilma tem a chance de ganhar fôlego e recuperar a confiança da população ao vetar a terceirização, que seria desastrosa para os trabalhadores brasileiros.

Caso contrário, se não vetar, Dilma e o PT perderão totalmente a razão de existir enquanto partido criado no chão de fábrica para defender os trabalhadores. Ironicamente, ao não vetar esse PL, o PT, criado para defender os trabalhadores, seria o responsável pela maior derrota da história desses mesmos que o criaram.

Espero que o Senado rejeite esse PL, mas caso não seja rejeitado, que Dilma tenha sabedoria e honre aqueles que a elegeram, os trabalhadores brasileiros, e vete essa maldita história de terceirização.